Os ácidos graxos ômega-3 podem ajudar nas doenças inflamatórias intestinais?


Encontrar formas de manejar a doença de Crohn pode ser difícil. As intervenções costumam funcionais para alguns, não para todos. Nós já sabemos que a doença de Crohn é uma doença inflamatória e os ácidos graxos ômega-3 são conhecidos por ajudar a conter a inflamação. Então por que eles não estão sendo amplamente recomendados para o tratamento da doença?

O que são ácidos graxos ômega-3?


Antes de qualquer coisa, vamos começar explicando o que eles são. Mais conhecidos apenas por “ômega-3”, são um tipo de gordura, mas é uma gordura boa. Esse tipo de gordura é o ácido graxo que, neste caso, é essencial. Isso significa que nosso organismo não produz ômega 3 e os únicos modos de obtê-lo é através da alimentação ou suplementação. Hoje em dia o ômega-3 tem sido uma das maiores deficiências na alimentação.


Por que o ômega- 3 pode ajudar na doença de Crohn?

Perguntou-se ao bioquímico Dr. Barry Sears as maneiras de ajudar a reduzir não só a inflamação como também reduzir o efeito colateral de algum tipo de tratamento da doença de Crohn.

Revisando alguns estudos podemos ver que o ômega-3 não teve benefício consistente para o tratamento de DII. E essa é a razão pela qual não há recomendações firmes. No entanto, segundo o Dr. Sears, a dosagem de ômega-3 utilizada nos estudos foi muito baixa.


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As drogas utilizadas para tratar a doença de Crohn resolvem o problema depois que a inflamação acontece. Segundo o Dr. Sears "os tratamentos anti-inflamatórios (medicamentos convencionais ou biológicos) promovem a parada inflamação após a sua iniciação. A fase de iniciação da inflamação é causada pela ativação do NF - kB (fator nuclear Kappa B), que é o fator de transcrição de genes que se transformam na síntese de mediadores inflamatórios (tais como TNF – fator de necrose tumoral). Uma ação mais adequada seria a de reduzir a ativação do NF-kB, reduzindo assim os níveis de proteínas inflamatórias que são liberadas. "

Isso significa que, para portadores de doença de Crohn, a ingestão de alimentos anti-inflamatórios é de fato muito importante. Uma dieta rica em ômega-3 em longo prazo pode chegar à possibilidade de reduzir a quantidade de medicamentos necessários para controlar a doença. "Isso também significa reduzir a ingestão de ômega-6, bem como aumentar o ômega-3. Na minha opinião, os níveis de ômega- 3 utilizados em estudos clínicos anteriores são muito baixos para reduzir efetivamente a atividade NF- kB " , explica Dr. Sears.


Medindo a inflamação

Já falamos várias vezes nesse site sobre métodos de avaliação da inflamação. Mas nesses estudos há mais um método, que é a relação entre o ácido araquidônico (AA) e o ácido eicopentaenóico (EPA), que pode ser realizado pelo exame de sangue:  A A 
                                                                                                                             EPA

Se esta relação for superior a 3, a atividade de NF-kB é mais elevada e, portanto, há inflamação.



Como você pode diminuir a inflamação?


Além do tratamento com medicamentos que deve ser seguido à risca, você pode tomar ômega-3, desde que seu médico ou nutricionista recomendem. Dr. Sears diz que a dosagem deve ser de 5 a 10 gramas por dia.

"Os polifenóis (encontrados em frutas, hortaliças, oleaginosas, ervas aromáticas, chás e chocolate amargo) também podem ser utilizados como agentes anti-inflamatórios. Eles podem auxiliar na redução dos níveis de micróbios patogênicos no intestino e também em inibições secundárias da atividade da NF-kB. Os polifenóis devem ser utilizados, pelo menos, 1 a 2 gramas de extratos polifenólicos purificados por dia" , disse o Dr. Sears.

Ele acrescenta: "Em resumo, seguindo uma dieta anti-inflamatória, juntamente com altos níveis de ômega-3 ácidos graxos e polifenóis, pode haver ações a nível molecular para melhorar as ações de medicamentos usados ​​atualmente, sugerindo que a dosagem dos remédios pode ser significativamente reduzida, uma vez que os alvos moleculares de ambos são os mesmos."

Convém lembrar que alguns médicos acreditam que altas doses de ômega-3 aumentam o risco de sangramento e, por isso, pedem que os pacientes suspendam seu consumo antes de cirurgia ou outros procedimentos ou até mesmo com uso concomitante de medicamentos para deixar o sangue mais fluido. O Dr. Sears acredita que esse risco é baixo, mas cabe a você decidir juntamente com seu médico a melhor conduta para o seu caso.

Outras maneiras de reduzir a inflamação para tratar a doença crônica é reduzir o estresse e praticar exercício físico regularmente. Yoga e meditação também são recomendadas, pois podem diminuir citocinas nocivas e reações inflamatórias no organismo.

Se você está lutando contra doença inflamatória intestinal, o ômega-3, uma dieta anti-inflamatória e focar a dieta em polifenóis podem ajudar a controlar a inflamação do intestino. Fale com o seu médico e nutricionista antes de mudar a sua dieta ou acrescentar quaisquer suplementos.para que eles possam montar um plano de tratamento individualizado.

Lembrando que já falamos sobre alimentos inflamatórios e anti-inflamatórios. Você pode reler esse texto clicando aqui.



Onde encontrar ômega-3?



O ômega-3 pode ser encontrado naturalmente em alguns alimentos, tais como:

  • Peixes, principalmente os de água salgada e fria (exemplo: salmão, atum, sardinha, cavala, arenque, bacalhau, lagosta e até camarão).
Recomendação: 3 vezes por semana, ao menos (atum e sardinha são peixes com grande quantidade de ômega-3, são fáceis de achar e muitas vezes são mais baratos que carne).

  • Linhaça e quinoa
Recomendação: pelo menos 1 colher de sopa por dia.

  • Oleaginosas (nozes, castanhas do Brasil, castanhas de caju, pistache, amêndoas, avelãs etc).
Recomendação: 1 punhado por dia.

  • Alimentos enriquecidos: hoje em dia encontramos nos mercados uma ampla lista de alimentos enriquecidos com ômega-3 e podemos dar preferência a eles. Já existem pães, cereais, óleos etc.

  • Feijão, soja e folhas escuras: na verdade eles não são ricos em ômega-3, mas são ricos no ácido ALA. Esse ácido não é tão bom quanto o ômega-3, mas também é bom e tem a facilidade de esses alimentos serem fáceis de encontrar e baratos.


Suplementos: podem ser utilizados por quem tem dificuldade de consumir ou encontrar os alimentos ricos em ômega-3, porém queremos deixar claro que a alimentação é sempre melhor que esse tipo de suplementação. É muito mais fácil o organismo absorver nutrientes de alimentos, que são produtos naturais, do que de pílulas. Enfim, mas essas cápsulas de ômega 3 podem ser encontradas em diversos estabelecimentos como farmácias de manipulação, lojas de produtos naturais, farmácias convencionais etc e costumam ser encontradas de 500mg a 4g. Porém, cada caso é um caso e a quantidade ideal para você deve ser calculada pelo nutricionista.

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