Celíacos podem ter risco da doença arterial coronariana aumentado em duas vezes quando comparado com a população normal de acordo com uma pesquisa que será apresentada na 63o congresso do American College of Cardiology.

O estudo é o primeiro a verificar a existência de uma associação entre doença celíaca e a doença arterial coronariana e contribui para um melhor entendimento de como a inflamação sistêmica e auto-imune pode influenciar o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Os dados mostraram também um pequeno aumento no risco de acidente vascular cerebral em pessoas com doença celíaca.

A doença celíaca é uma condição inflamatória crônica do sistema digestivo que pode danificar o intestino delgado a ponto de interferir na absorção de nutrientes. Celíacos não podem comer alimentos que contenham ou que tenham tido contato com alimentos que contenham glúten – uma proteína encontrada em alimentos como trigo e centeio  - pois essa proteína pode induzir uma reação inflamatória no intestino.


“Celíacos têm uma pequena inflamação persistente nos intestinos que pode jogar alguns mediadores imunológicos na corrente sanguínea que por sua vez podem acelerar o processo de aterosclerose (fechamendo dos vasos saguíneos) e consequentemente levar a doença arterial coronariana.” disse o médico R.D. Gajulapalli, da clínica Cleveland e co-autor do estudo. “Nossos achados dá mais força à ideia de que a inflamação crônica, seja de uma infecção ou de uma doença, pode ter um papel na doença arterial coronariana e na saúde do coração em geral.

Pesquisadoes acharam uma maior prevalência de doença arterial coronariana entre paciente celíacos quando comparados com a população controle (9.5% comparados a 5.6% respectivamente). O mesmo foi notado entre pacientes mais jovens, aqueles com menos de 65 anos, 4.5% e 2.4% respectivamente.

“Esse é um importante estudo porque identifica uma população específica que pode ser mais susceptível a problemas cardiovasculares até mesmo na ausência de fatores de risco tradicionais.” disse Gajulapalli. “Nós ficamos surpresos devido a grande diferença apresentada, principalmente em pessoas mais jovens. Todos, paciente e médicos, devem saber que existe essa associação.”

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A doença celíaca afeta estimadamente 1 a cada 133 americanos mas experts acreditam que uns 80% das pessoas com doença celíaca não têm um diagnóstico definitivo ou errado, levando a acreditar que tenha intolerância à lactose ou síndorme do intestino irritável. Pesquisas anteriores mostram que a doença celíaca vem aumentando sua prevalência chegando a ser quatro vezes mais comum hoje em dia do que era 50 anos atrás. O único tratamento disponível é a adoção de uma dieta livre de glúten.

A doença celíaca já foi provada ter relação com arritmias cardíaca e possível insuficiência cardíaca.

“Ainda não se sabe se pacientes com a doença  celíaca precisarão maior precaução no que diz respeito a modificação de riscos, assim como acontece com quem tem diabetes.” disse Gajulapalli. Agora segundo ele celíacos e pessoas com outras condições inflamatórias como doença de Crohn e colite ulcerativa devem manter uma vida saudável e ficar de olho para doenças e fatores de risco tradicionais como diabetes, hipertensão arterial e colesterol.



Maiores estudos são necessários para confirmar essa associação e verificar como grau de severidade da doença celíaca pode afetar o desenvolvimento da doença arterial coronariana uma vez que muitos podem ser sensíveis ao glúten mas não ter a doença celíaca. Outros estudos poderiam focar se pessoas que têm apenas intolerância ao glúten também tem risco aumentado.


O texto acima foi possível com os materiais fornecidos pela American College of Cardiology.





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