Será que basta só fechar o diagnóstico? “Você tem doença de Crohn”, “você tem retocolite ulcerativa”... mas e aí? A doença de um não é igual a de outro e esse é um dos motivos pelos quais se classificam a doença. Tem pessoas que tem a doença em grau leve e assim ela permanece por anos e anos, tem pessoas que já tem a doença bem grave no momento do diagnóstico mesmo, tem pessoas que a doença vai se agravando com o passar do tempo, ou ficando mais controlada... enfim, cada um é um e viva a individualidade! Por essas e por outras é tão indispensável classificar bem a doença, pois assim pode-se tentar prever o curso da doença e traçar o melhor tratamento.

Com certeza o seu médico fez a classificação da sua doença após fechar o seu diagnóstico. Quer entender como isso é feito? Então vamos lá!


Bom, fato é que nos últimos anos tem sido feitos vários esforços no sentido de desenvolver e aperfeiçoar a classificação da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa. Então foram criadas várias estratégias subgrupos específicos da doença e dos doentes. Em 1998, no Congresso Mundial de Gastroenterologia, que aconteceu em Viena, foi apresentada uma forma de classificação que levava em conta idade de diagnóstico, localização da doença e comportamento clínico (estenosante ou penetrante) e é conhecida por “classificação de Viena”. Mas em 2005 ela foi atualizada e passou a ser conhecida como “classificação de Montreal”. Essa nova classificação permitiu uma classificação fenotípica mais precisa.

A principal variação entre essas duas classificações relaciona-se com o parâmetro comportamento em relação à doença perianal: na classificação de Viena ela era incluída no fenótipo B3, mas passou a ser considerada um fenótipo extra, o que significa que ela tornou-se um agente modificador da doença de Crohn. As novas descobertas da doença perianal que permitiram isso foram:





  •        O conhecimento de que a doença perianal apresenta uma história natural diferente da doença inflamatória penetrante.

  •        A necessidade cirúrgica é significativamente mais elevada nos pacientes com doença penetrante quando comparada à doença perianal.

  •      Há evidências inconsistentes da associação entre a doença perianal e a fistulização interna em pacientes com doença ileal isolada.

  •      Outra alteração foi na idade do diagnóstico, na qual foi feita a separação da doença de Crohn pediátrica (abaixo de 16 anos).

  •      Segue abaixo ambas essas classificações para a doença de Crohn e para a retocolite ulcerativa.

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Doença de Crohn


 Classificação de Viena e Montreal para doença de Crohn




Viena
Montreal

Idade do diagnóstico
A1 – abaixo de 40 anos
A1 – abaixo de 16 anos
A2 – acima de 40 anos
A2 – entre 17 e 40 anos

A3 – acima de 40 anos


Localização
L1 – ileal
L1 – ileal
L2 – colônica
L2 – colônica
L3 – ileocolônica
L3 – ileocolônica
L4 – TGI superior
L4 – TGI superior isolado


Comportamento
B1 – não estenosante
B1 – não estenosante, não penetrante
B2 – estenosante
B2 – estenosante
B3 - penetrante
B3 – penetrante

P – doença perianal


Retocolite ulcerativa (RCU)


Classificação de Montreal para a localização da retocolite ulcerativa

Extensão
Anatomia
E1 – Proctite ulcerativa
Acometimentolimitado ao reto (extensão da inflamação até a porção distal da junção retossigmóide)
E2 – RCU do lado esquerdo
O acometimento da inflamação se estende até a flexura esplênica
E3 – RCU extensa
O acometimento se estende além da flexura esplênica

Classificação de Montreal para o grau de atividade da retocolite ulcerativa

Severidade
Definição
S0 – remissão clínica
Assintomático
S1 – RCU leve
4 ou mais evacuações∕dia (com ou sem sangue), ausência de comprometimento sistêmico e provas de atividade inflamatórias normais
S2 – RCU moderada
Mais de 4 evacuações∕dia, mas com mínimos sinais de toxicidade sistêmica
S3 – RCU intensa
Mais de 6 evacuações com sangue∕dia, frequência cardíaca  90 bpm, temperatura corporal ≥ 37,5ºC, hemoglobina < 10,5 g∕100mL e VHS ≥ 30 mm∕h.



Mas qual a importância disso, afinal?


Os estudos vem mostrando que há diferenças prognósticas claras nos subgrupos de doentes definidos pela classificação de Montreal. Em relação à doença de Crohn, a estratificação dos pacientes quanto à idade de diagnóstico da doença, assim como à localização, pode ser útil na predição do curso em termos de necessidade de corticoterapia, imunossupressão e∕ou cirurgias.

Sendo assim, no futuro, a classificação da doença por padrão fenotípico poderá eventualmente vir a ser aplicada após mais estudos na predição da história natural da doença.

Na série sobre as possíveis causas da doença inflamatória intestinal falamos sobre os fatores imunológicos e os fatores genéticos. Durante vários trechos desses artigos podemos observar que a tendência do tratamento das doenças inflamatórias intestinais é que ele seja cada vez mais individualizado. É possível que cada pessoa tenha causas específicas diferentes de outra pessoa e também cada subgrupo da doença tem uma progressão específica. Quando os cientistas fizerem mais descobertas em relação a isso, acreditamos que os tratamentos serão revolucionados! Eles ficarão mais específicos para cada caso e, dessa forma, com chances de sucesso muito maiores. Muitas descobertas já foram feitas, novos medicamentos estão surgindo, então vamos continuar na torcida e com esperança sempre!


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