Perda óssea na DII



Estima-se que 30% a 60 % das pessoas com doença de Crohn ou colite ulcerativa tem densidade óssea abaixo da média. Em alguns indivíduos essa perda óssea assume a forma de osteoporose (uma condição que significa "ossos porosos") . Em outros casos a anomalia óssea é chamada de osteopenia, que significa baixa densidade óssea; ou osteomalácia, que é o enfraquecimento dos ossos.

Essas condições ocorrem mais frequentemente em pessoas com doença de Crohn do que naqueles com colite ulcerativa. Elas também são mais comuns em mulheres do que em homens.

A baixa densidade óssea pode afetar pacientes com DII em qualquer idade. Na verdade, muitos indivíduos com doença de Crohn desenvolvem osteoporose em uma idade na qual deveriam estar no auge da força óssea , que seria 20 anos para as mulheres e 30 anos para os homens.


O que é a densidade óssea?


Embora osso parece ser tão duro quanto uma rocha, ele é na verdade um tecido vivo. Ao longo de sua vida, o osso velho é removido e um novo osso é adicionado. Estes dois processos de reabsorção e formação óssea  são componentes da remodelação óssea, que ocorre continuamente.

Se a reabsorção e formação óssea ocorressem exatamente no mesmo ritmo significaria que a massa óssea permaneceria a mesma. Mas esse não é o caso. Depois dos 35 anos de idade ou mais, a reabsorção óssea supera a formação e a densidade óssea começa a declinar . Alguma perda de densidade óssea é normal.  Porém quando o processo de reabsorção se acelera demais a probabilidade de desenvolver osteoporose é grande.

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Sintomas


Embora as pessoas com osteoporose possam notar um pouco de dor nas costas ou mudança de postura, esta doença geralmente não produz sintomas até uma fase mais desenvolvida, na qual o osso torna-se tão enfraquecido que se rompe.

Fraturas ósseas devido à osteoporose ocorrem mais frequentemente na coluna e quadris. É por isso que testes de triagem para a perda óssea (teste de densidade óssea) e as medidas preventivas para deter a perda óssea são tão importantes.


Causas da perda óssea na doença inflamatória intestinal (DII)


Especialistas apontam para várias causas suspeitas para a perda óssea em DII, incluindo as seguintes:

Corticoterapia - Estes potentes medicamentos anti -inflamatórios podem produzir efeitos colaterais graves, e perda de massa óssea é uma delas. Acredita-se que de 30% a 50% das pessoas que tomam corticóides a longo prazo desenvolvem osteoporose, e os efeitos são cumulativos. O impacto sobre a saúde do osso depende  amplamente da dose e do período de tempo que uma pessoa está nestes medicamentos.


Os corticóides podem prejudicar a formação de novo tecido ósseo através da:

  • Diminuição da quantidade de cálcio (um mineral essencial para a formação óssea) que é absorvido pelos intestinos e adquirido através dos alimentos;
  • Aumento na excreção de cálcio através da urina;
  • Estimulação da produção de células que destroem o osso (osteoclastos);
  • Diminuição do número de células formadoras de osso (osteoblastos);
  • Redução da produção do hormônio estrogênio que contribui para a formação de ossos fortes;



Inflamação na doença ativa


Pessoas com DII tem concentrações elevadas de proteínas especializadas, chamadas citocinas, que aumentam a resposta inflamatória do corpo. Estes produtos químicos podem perturbar o metabolismo ósseo normal , o ritmo no qual o osso velho é removido e um novo osso é formado. Parece também que os indivíduos com formas mais ativas de Crohn podem ter um maior risco de desenvolver osteoporose , pois sua atividade de citocinas é maior.

Isso pode explicar também o porquê das pessoas com colite ulcerativa sofrerem menos com a perda óssea do que aqueles com doença de Crohn. Embora as duas doenças tenham muitas semelhanças, elas se diferem no que diz respeito ao equilíbrio das citocinas. Mesmo as pessoas que tiveram a colite ulcerativa por anos ainda pode desfrutar de uma boa saúde dos ossos. Aqueles que  mostram evidências de perda óssea tendem a ser indivíduos que utilizaram corticosteróides durante algum tempo.



Deficiência de vitamina D


A vitamina D é necessária para a absorção de cálcio. Juntos, esses dois são fundamentais para a construção de ossos saudáveis ​​. Pelo fato  dessa vitamina ser absorvida no intestino delgado, as pessoas com doença de Crohn, especialmente aqueles que tenham sido submetidos à ressecção do intestino delgado ou que tem uma grande parte intestino delgado involvido pela doença estão entre os que tem maior risco de deficiência de vitamina D.


Isto, por sua vez, pode resultar em perda de massa óssea devido à redução da absorção do cálcio ou mineralização óssea deficiente. É por isso que as pessoas que se submeteram à cirurgia para remover grande parte do intestino delgado estão em maior risco de desenvolver osteoporose. O restante do intestino pode não ser suficiente para absorver as quantidades necessárias de cálcio e vitamina D.

Outro fator que pode privar o corpo de vitamina D é a exposição solar inadequada, uma vez que a luz solar é responsável pela síntese (fabricação) da vitamina D na pele.


FATORES DE RISCO GERAIS PARA A PERDA ÓSSEA


De acordo com especialistas, o aumento da idade, sexo feminino, e baixo índice de massa corporal (IMC) pode colocar as pessoas com DII em maior risco de terem perda óssea do que qualquer uma das outras causas descritas acima. Isso significa que os pacientes de Crohn mais velhos, do sexo feminino e que tem baixo IMC estão em maior risco de doenças ósseas do que os pacientes mais jovens e mais pesados. Fumo e álcool aumentam esse risco.


Diagnóstico


O diagnóstico da perda de massa óssea é geralmente feito através de uma tecnologia especial de raios-X chamado densitometria de duplo feixe de raios- X (DEXA). Os resultados do teste que mede a densidade mineral óssea na coluna, quadril e outros ossos, indicam o risco de sofrer uma fratura óssea. Na população em geral, o diagnóstico de osteopenia  (ossos fracos) duplica o risco de fratura. A osteoporose aumenta o risco em quatro ou cinco vezes.

Mas uma descoberta recente e interessante mostra que embora as pessoas com DII tem taxas acima da média de osteoporose e osteopenia  as taxas de fratura são comparativamente baixas.


Prevenção da perda óssea


As medidas preventivas incluem a redução dos fatores de risco controláveis ​​que contribuem para a perda de massa óssea:

  • Reduzir o uso de esteróides (sob a supervisão do seu médico);
  • Usar outros medicamentos que diminuam a necessidade de corsticóides como a azatioprina , 6-MP, metotrexato, infliximabe, adalimumabe, corticosteróide sistêmico com menos efeitos colaterais que os esteróides tradicionais;


Pessoas com DII também pode tomar as seguintes medidas de auto-cuidado para ajudar a prevenir a perda óssea:

  • Restringir o consumo de álcool;
  • Não fumar;
  • Envolver-se em atividade física regular; Leia: 10 razões para se exercitar
  • Comer uma dieta rica em cálcio ou tomar 1.500 mg de cálcio por dia. Caso você não tenha exposição à luz solar natural suficiente (ou faz uso de protetor solar), então fontes alimentares de vitamina D são essenciais. Estes incluem leite fortificado, óleos de peixe e fígado. Como alternativa suplementos de vitamina D (contido em muitos multivitamínicos);



Lembre-se sempre de consultar seu médico e/ou nutricionista para ter sempre uma dieta balanceada. Em um próximo artigo falaremos mais especificamente sobre a suplementação da vitamina D.

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